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Jorge Batista ilustra representação do negro na arte e educação


Foto: Reprodução


Os temas educação, arte, autoafirmação e combate ao racismo predominaram em live da Academia de Letras de Itabuna (Alita) com o professor, ator e diretor teatral Jorge Batista. A transmissão virtual, conduzida pela presidente da entidade, Silmara Oliveira, colocou em discussão a presença de vozes negras na literatura, assim como no teatro regional.

“É necessário que a gente homenageie as pessoas que têm contribuído enormemente com seu trabalho. Vamos falar nada menos do que com nosso queridíssimo professor Jorge Batista, que tem uma caminhada longa e bonita de sucesso”, iniciou a anfitriã, sobre o profissional. Ele é mestre em Inovação Pedagógica (Universidade da Madeira, em Portugal) e pós-graduado em Filosofia Contemporânea, além da graduação em Filosofia (ambas na Uesc) e em Arte pela FIJ (Faculdades Integradas de Jacarepaguá).

Articulador cultural, Jorge contou como encontrou no teatro e na escola palcos para construir a própria identidade. Desde criança, revelou, tomou gosto pela palavra, leitura e pela interpretação. “Quando aprendi a ler, o dinheiro da merenda não era mais para merenda”, lembrou. Assim que conheceu o teatro, contou, pôde fortalecer a vocação. E exalta o nome de Mário Gusmão como grande influenciador do teatro na região.

Em seguida, a trajetória como professor deu a ele a oportunidade de compartilhar tais paixões com alunos e colegas. E liderar por 14 anos experiências criativas, como a Manhã de Primavera, na Escola Curumim.

“Sou membro convidado da Academia de Letras de Itabuna exatamente por esse trabalho de arte que a gente faz na cidade. Um reconhecimento que é muito necessário para continuar fazendo o que a gente faz na região. Esse diálogo é importante, porque eu sou negro e é preciso dar voz aos negros neste período de novembro, a gente tem uma reflexão voluntária”, observou.


Da declamação ao posicionamento


Ao longo de mais de uma hora, o confrade e a confreira da Alita recitaram poemas que evocaram produções de Ruy Póvoas e Cyro de Mattos (também da Academia), além de Daniela Galdino, Rita Santana e da angolana Alda Lara, entre outros nomes. Eles também fizeram referência a Egnaldo França, com experiências no teatro, bem como na música e educação através do grupo Encantarte.

À baila, temas como família, pertencimento, educação e a importância do resgate da contação de histórias. Junto aos presentes daquela plateia virtual, o ator e iluminador José Carlos Ngão sugeriu que seja feito um banco de textos de dramaturgia negra.

Afora os registros literários, Jorge e Silmara evidenciaram o quanto são pertinentes as discussões para desconstruir o racismo ainda presente no imaginário – e em atitudes – da população brasileira. Relatos, inclusive, sobre o recente episódio criminoso que tanto chocou o país. “Quando é que descansaremos? Como se constrói identidade com negação o tempo todo?”, indagou Jorge Batista. Ele ressalva a conquista de espaços e evolução da representação do negro na literatura e na dramaturgia ao longo da história.




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